Um desafio a ser vencido

22 de Março de 2019

O equino é uma espécie animal monogástrica e herbívora por natureza, ou seja, seu aparelho digestivo está preparado para digerir fibras (pastagens e forragens que são ricas em fibras). Com a domesticação do cavalo, o homem introduziu os carboidratos (ração e concentrado) no cardápio desse animal para que ele tivesse uma dieta mais calórica e pudesse participar de competições de forma satisfatória como em: rodeios, provas de laço, corridas, salto, enduros, etc. Devemos lembrar que o equino é impossibilitado anatomicamente de eructar, havendo assim uma tendência ao acúmulo de gás no trato digestivo. Outra desvantagem nessa espécie é que seu estômago tem tamanho reduzido em relação ao restante do aparelho digestivo (Intestino delgado, ceco e cólons).

Esses dois fatores juntos podem predispor ao aparecimento de um quadro de desconforto abdominal pelo acúmulo de gás e fermentação excessiva. Assim sendo, é essencial que a ração ou concentrado seja oferecido com boa qualidade, é claro, mas também fracionado em menores quantidades para que não ocorra uma sobrecarga alimentar. Sabe-se que 10% dos casos de cólica somente se resolvem com uma intervenção cirúrgica como acontece nos casos de torção, volvulus, intussuscepções... enquanto que 90%, ou seja, na maioria dos casos (timpanismo, distensão gástrica, impactações...), se resolvem com tratamento a base de medicamentos.

10 Dicas para a prevenção da cólica em equinos

  1. Oferecer sempre água de boa qualidade e à vontade.
  2. Oferecer também fibra de qualidade com pastagens e forragens livres de fungos e umidade.
  3. Oferecer ração ou concentrado de boa qualidade livre de fungos e umidade.
  4. Seguir um programa de vermifugação orientado pelo médico veterinário de sua confiança.
  5. Evitar medicar seu animal por conta própria especialmente quanto ao uso de analgésicos que podem levar ao aparecimento de úlceras.
  6. Grosar anualmente os dentes do seu animal para que ele possa mastigar de forma efetiva o alimento ingerido.
  7. Exercitar periodicamente seu animal, pois é sabido que animais confinados tendem a ter uma maior incidência de casos de desconforto abdominal.
  8. Procurar alimentar seu animal de duas a três vezes por dia para que ele nunca receba uma quantidade superior a 2,5 kg de ração ou concentrado por vez.
  9. Evitar mudanças bruscas na dieta.
  10. Aprender a diferenciar o comportamento normal do anormal, para saber identificar quando algo está errado com seu animal. Nos casos de cólica, o animal geralmente apresenta inquietação, rola com frequência, olha para o flanco, tenta escoicear o próprio abdômen, pode perder o apetite e pode haver sudorese, dependendo do grau de dor.

Marcelo Marcarian Cristófaro - CRMV-SC 3250 Formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/UFRRJ em 1993

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